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DESPARASITAÇÃO INTERNA E EXTERNA EM CÃES: COMO PROTEGER O SEU ANIMAL

  • SeeVet Veterinários ao domicílio
  • 25 de jun.
  • 7 min de leitura

A desparasitação faz parte dos cuidados preventivos de saúde dos cães, mas não deve ser realizada de forma automática nem com base num calendário igual para todos.

Os parasitas que podem afetar os cães são muito diferentes entre si.


Alguns vivem no aparelho digestivo, outros podem afetar os pulmões, o coração ou outros tecidos. Existem ainda parasitas externos, como pulgas, carraças, piolhos e alguns ácaros, bem como insetos que podem transmitir doenças através da picada.


Por este motivo, um plano de controlo parasitário deve considerar o local onde o cão vive, os espaços que frequenta, a alimentação, os contactos com outros animais, as viagens, a idade e o seu estado de saúde.


O QUE É A DESPARASITAÇÃO INTERNA?


A expressão desparasitação interna é habitualmente utilizada para descrever o tratamento ou a prevenção de infeções provocadas por vermes, também designados helmintas.


Entre os parasitas internos que podem afetar os cães encontram-se:


  • Lombrigas, como Toxocara canis.

  • Ténias, como Dipylidium caninum e espécies do género Taenia.

  • Ancilostomídeos e tricúridos, que vivem no aparelho digestivo.

  • Parasitas pulmonares, como Angiostrongylus vasorum e Crenosoma vulpis.

  • Dirofilaria immitis, transmitida por mosquitos e responsável pela dirofilariose cardiopulmonar.


Nem todos os parasitas internos vivem, portanto, no intestino. Também não existe um único produto que proteja necessariamente contra todos eles.


É igualmente importante distinguir os vermes de outros parasitas intestinais, como Giardia e coccídios. Estes são protozoários e não são eliminados por todos os produtos vulgarmente utilizados na desparasitação interna. Quando existe suspeita de infeção, podem ser necessárias análises às fezes e um tratamento específico.


DESPARASITAR NÃO SIGNIFICA SEMPRE EVITAR UMA NOVA INFEÇÃO


Muitos medicamentos administrados contra vermes eliminam os parasitas sensíveis que estão presentes no organismo no momento do tratamento, mas não impedem necessariamente que o cão volte a ser infetado pouco tempo depois.


Existem exceções. Alguns medicamentos são utilizados preventivamente contra parasitas específicos, como determinadas fases de Dirofilaria immitis, desde que sejam administrados nos intervalos corretos.


Por isso, não é rigoroso afirmar que qualquer comprimido de desparasitação interna mantém o cão protegido durante vários meses. A duração e o tipo de proteção dependem da substância ativa, do parasita em causa e das indicações do medicamento.


O QUE É A DESPARASITAÇÃO EXTERNA?


A desparasitação externa destina-se ao controlo de parasitas e artrópodes que se encontram sobre a pele ou no pelo do animal.


Entre os mais frequentes estão:


  • Pulgas.

  • Carraças.

  • Piolhos.

  • Ácaros responsáveis por diferentes tipos de sarna ou outras alterações dermatológicas.


Os produtos externos podem apresentar-se sob a forma de comprimidos, pipetas, coleiras ou soluções para aplicação cutânea. No entanto, estes formatos não são equivalentes e não oferecem todos a mesma cobertura.


Um produto eficaz contra pulgas pode não controlar determinadas carraças. Um produto que mata carraças após a fixação pode não ter ação repelente. Da mesma forma, nem todos os produtos usados contra pulgas e carraças repelem mosquitos ou flebótomos.


A escolha deve ser feita com base nos riscos a que o cão está efetivamente exposto.


PULGAS E CARRAÇAS NÃO SÃO APENAS UM PROBLEMA DE PELE


As pulgas podem causar comichão, lesões cutâneas e dermatite alérgica à picada da pulga. Também podem participar na transmissão de Dipylidium caninum, uma ténia que o cão pode adquirir ao ingerir uma pulga infetada.


Numa infestação por pulgas, os adultos encontram-se no animal, mas os ovos, as larvas e as pupas desenvolvem-se maioritariamente no ambiente. Isto significa que tratar apenas o cão pode não ser suficiente.


Pode ser necessário tratar todos os animais da casa com produtos adequados a cada espécie, lavar camas e mantas, aspirar cuidadosamente as zonas onde os animais permanecem e, em alguns casos, adotar medidas adicionais de controlo ambiental.

As carraças também podem causar irritação local e, quando existem em grande número, contribuir para anemia. A sua principal importância clínica está, no entanto, relacionada com a possibilidade de transmitirem agentes responsáveis por doenças como babesiose, erliquiose e anaplasmose.


Uma carraça fixada deve ser retirada assim que possível, utilizando um instrumento apropriado e evitando esmagá-la. Não devem ser aplicados álcool, óleo, éter ou outras substâncias com o objetivo de a fazer desprender.


MOSQUITOS E FLEBÓTOMOS EXIGEM UMA PROTEÇÃO DIFERENTE


Os mosquitos e os flebótomos são importantes sobretudo pela sua capacidade de transmitir agentes infeciosos.


Os mosquitos podem transmitir Dirofilaria immitis, responsável pela dirofilariose cardiopulmonar. Os flebótomos podem transmitir Leishmania infantum, responsável pela leishmaniose canina.


A prevenção destas doenças não deve ser confundida com o controlo habitual de pulgas e carraças. Dependendo da região e do risco do animal, pode ser necessário combinar diferentes medidas, como produtos com ação repelente contra os vetores, medicação preventiva específica e outros cuidados recomendados pelo médico veterinário.


Nem todos os produtos antiparasitários externos repelem mosquitos ou flebótomos. É essencial confirmar as indicações concretas do produto utilizado.


DE QUANTO EM QUANTO TEMPO DEVE UM CÃO SER DESPARASITADO?


Não existe uma periodicidade universal adequada a todos os cães.

Nos cachorros, o controlo de lombrigas começa habitualmente nas primeiras semanas de vida. As recomendações europeias indicam que o primeiro tratamento contra Toxocara canis pode ser realizado a partir dos 14 dias, repetindo-se de duas em duas semanas até duas semanas após o desmame.


Em animais com risco continuado, o plano pode depois ser ajustado durante os primeiros meses de vida. Este esquema deve ser orientado pelo médico veterinário, porque o produto necessita de estar autorizado para a idade e para o peso do cachorro.

Nos cães adultos, a frequência depende da avaliação individual do risco. Entre os fatores relevantes encontram-se:


  • Acesso ao exterior.

  • Contacto com outros animais.

  • Frequência de parques, creches, hotéis ou canis.

  • Caça ou ingestão de presas.

  • Ingestão de carne crua ou vísceras.

  • Contacto com caracóis e lesmas.

  • Presença de pulgas.

  • Viagens ou permanência em regiões onde existem parasitas específicos.

  • Convivência com crianças pequenas, idosos ou pessoas imunocomprometidas.


Em determinadas situações, o médico veterinário pode recomendar tratamentos regulares. Noutras, poderá ser adequado realizar exames coprológicos periódicos e tratar de acordo com os resultados.

As análises às fezes não detetam todos os parasitas em todas as fases da infeção. Por isso, a decisão entre testar, tratar preventivamente ou combinar as duas abordagens deve ser tomada de acordo com o parasita e o risco existente.


A PROTEÇÃO EXTERNA DEVE SER MANTIDA TODO O ANO?


A atividade dos parasitas varia com a temperatura, a humidade, a região e as condições ambientais. No entanto, não é correto assumir que todos desaparecem durante o inverno.


As pulgas podem completar o seu ciclo dentro de casas aquecidas. Algumas espécies de carraças também podem permanecer ativas durante períodos prolongados, sobretudo em regiões com clima ameno.


A necessidade de proteção durante todo o ano deve ser avaliada caso a caso. É igualmente essencial respeitar o intervalo de administração indicado para cada medicamento.


Dar banho ao cão ou permitir que nade pode interferir com a eficácia de alguns produtos de aplicação cutânea, mas não de todos. Deve ser consultado o folheto do medicamento e respeitado o intervalo recomendado entre a aplicação e o contacto com água.


SINAIS QUE PODEM JUSTIFICAR UMA AVALIAÇÃO VETERINÁRIA


Muitos cães com parasitas não apresentam sinais evidentes. Quando existem, os sintomas dependem do parasita, da carga parasitária, da idade e do estado de saúde do animal.


Deve procurar aconselhamento veterinário perante sinais como:


  • Comichão persistente.

  • Queda de pelo ou lesões na pele.

  • Pequenos pontos escuros no pelo, que podem corresponder a dejetos de pulga.

  • Presença de pulgas ou carraças.

  • Segmentos semelhantes a pequenos grãos de arroz junto ao ânus, no pelo ou na cama.

  • Diarreia ou vómitos persistentes.

  • Sangue nas fezes.

  • Perda de peso.

  • Abdómen distendido, sobretudo em cachorros.

  • Tosse, dificuldade respiratória ou menor tolerância ao exercício.

  • Apatia, febre, mucosas pálidas, fraqueza ou alterações do apetite.


Estes sinais não são exclusivos de doenças parasitárias. Uma avaliação médica é necessária para determinar a causa e escolher os exames adequados.


ERROS FREQUENTES NA DESPARASITAÇÃO DOS CÃES


Um dos erros mais frequentes é utilizar sempre o mesmo produto sem confirmar se continua a ser adequado ao peso, à idade, ao estado de saúde e aos riscos atuais do cão.

Também não se deve assumir que um produto com ação contra vários parasitas oferece uma proteção completa. O espectro de ação deve ser confirmado através das substâncias ativas e das indicações autorizadas.


Outros erros incluem alterar a dose, dividir medicamentos sem indicação, repetir administrações fora do intervalo recomendado ou combinar diferentes produtos sem aconselhamento veterinário.


Os produtos destinados a cães também não devem ser aplicados em gatos. Algumas substâncias utilizadas em cães, como determinadas formulações com permetrina, podem ser altamente tóxicas para os gatos. Em casas com várias espécies, é necessário seguir cuidadosamente as precauções de utilização.


COMO REDUZIR O RISCO DE PARASITAS


A medicação é apenas uma parte do controlo parasitário.


Também é importante:


  • Recolher rapidamente as fezes do cão.

  • Evitar que coma fezes, animais mortos, roedores, vísceras ou carne crua sem controlo adequado.

  • Verificar o pelo e a pele depois de passeios em zonas com vegetação.

  • Lavar regularmente camas, mantas e outros tecidos utilizados pelo animal.

  • Manter o controlo de pulgas em todos os animais da casa quando existe uma infestação.

  • Informar o médico veterinário antes de viajar com o cão.

  • Cumprir corretamente as doses, os intervalos e o modo de administração de cada medicamento.

  • Nunca utilizar medicamentos ou produtos caseiros sem indicação profissional.


A IMPORTÂNCIA DE UM PLANO INDIVIDUAL


Um cão que vive num apartamento pode continuar exposto a pulgas, carraças, mosquitos e parasitas internos durante os passeios, através de outros animais ou por contacto com ambientes contaminados.


Por outro lado, um cão com acesso a quintais, zonas rurais, jardins, praias, pinhais ou espaços frequentados por muitos animais pode apresentar riscos diferentes.

O controlo parasitário deve, por isso, ser revisto sempre que existam alterações de peso, alimentação, local de residência, rotina, viagens ou estado de saúde.


A escolha não deve ser feita com base no produto mais forte ou naquele que apresenta o maior número de parasitas na embalagem. Deve ser selecionada a opção adequada aos riscos reais do animal, com a dose correta e durante o período necessário.


DESPARASITAÇÃO E AVALIAÇÃO VETERINÁRIA AO DOMICÍLIO


Durante uma consulta veterinária ao domicílio, é possível rever o historial de desparasitação, confirmar o peso atual do cão, avaliar a pele e o pelo e conhecer melhor as suas rotinas e os ambientes que frequenta.


Esta informação ajuda a definir um plano ajustado ao animal e a identificar situações em que poderão ser necessários exames às fezes, análises ao sangue, testes dermatológicos ou outros meios de diagnóstico.


A consulta em casa pode ser particularmente útil para cães ansiosos, idosos, reativos, com mobilidade reduzida ou que apresentam dificuldade em deslocar-se.

Quando são necessários exames, tratamentos ou procedimentos que não podem ser realizados no domicílio, o médico veterinário orienta os passos seguintes e assegura a continuidade dos cuidados.


UM PLANO ADEQUADO PROTEGE MAIS DO QUE UM TRATAMENTO ISOLADO


A desparasitação interna e externa deve fazer parte de um plano de saúde acompanhado ao longo da vida do cão.


Não existe um único produto adequado a todos os animais, nem um intervalo universal que proteja contra todos os parasitas. A decisão deve considerar os riscos individuais, a região, o estilo de vida e as indicações específicas de cada medicamento.


Na SeeVet, avaliamos o seu cão no ambiente onde se sente mais seguro e definimos um plano de controlo parasitário adequado às suas necessidades.


Para esclarecer dúvidas ou rever a desparasitação do seu animal, reserve uma consulta veterinária ao domicílio.

 
 
 

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